Pular para o conteúdo
História Sem Fim
Livro: Stuttgart, 1979Filme: 1984Os dois mundos

Capítulo III · Letra C

A velha Morla

ansado e sozinho depois de perder Artax nos Pântanos da Tristeza, Atreyu procura a velha Morla, que não se importa com mais nada.

A busca sem rumo

Atreyu parte do Oceano de Relva sem saber para onde ir. Viaja dias seguidos com Artax, perguntando a todos que encontra sobre a doença da Imperatriz e o Nada. Ninguém sabe nada. Em vários lugares, ele vê com os próprios olhos os pontos onde o Nada apagou o mundo, e sente a estranha atração que o vazio exerce.

Alguém finalmente menciona um nome: a velha Morla, um dos seres mais antigos de Fantasia. Se alguém sabe a resposta, talvez seja ela. Morla vive nos Pântanos da Tristeza.

Os Pântanos da Tristeza

O pântano é um lugar de lama, água parada e névoa, mas o verdadeiro perigo é invisível. Quem o atravessa é tomado por uma tristeza que vai crescendo, sem motivo, até tirar toda a vontade de continuar. Quem se entrega a ela afunda e não volta.

Atreyu está protegido pelo AURYN. Artax não. Aos poucos, o cavalo fica mais lento e mais pesado, até parar. No livro, Artax fala com Atreyu: diz que não consegue mais seguir e pede que o menino o deixe ali. Atreyu tenta tudo para salvá-lo, mas o cavalo afunda na lama.

É uma das cenas mais tristes do livro. Não há vilão nem luta: Artax simplesmente desiste. Atreyu, sozinho, segue a pé.

A velha Morla

Atreyu encontra Morla numa espécie de monte coberto de musgo no meio do pântano. É a carapaça dela: Morla é uma criatura parecida com uma tartaruga gigantesca, tão velha e tão imóvel que se confunde com a paisagem.

Ela fala de um jeito peculiar, sempre no plural, como se fosse duas, porque se acostumou a conversar consigo mesma ao longo dos séculos. E não se importa com nada. Nem a doença da Imperatriz, nem o fim de Fantasia a comovem. Para ela, tudo dá no mesmo.

Com muita paciência, Atreyu consegue arrancar uma pista. Morla não sabe a cura, mas diz que talvez Uyulala, no Oráculo do Sul, saiba. O problema é a distância: o Oráculo fica tão longe que Atreyu jamais chegaria a tempo.

O que o capítulo mostra

O capítulo III junta duas formas de desânimo. A tristeza do pântano mata quem se entrega a ela; a indiferença de Morla é a tristeza levada ao fim, quando já não sobra nem dor. As duas estão ligadas ao Nada: um mundo em que ninguém se importa com nada é um mundo que pode ser apagado.

Atreyu atravessa as duas e continua. Perdeu o cavalo, está sozinho e recebeu uma resposta quase inútil, mas ainda se importa. É essa teimosia que o mantém vivo.

No conjunto do livro

Na estrutura da busca, o capítulo III é a primeira grande perda e a primeira pista. O padrão se repete nos capítulos seguintes: cada etapa custa algo a Atreyu e lhe dá uma informação incompleta, que o empurra para a próxima. O Oráculo do Sul, mencionado por Morla, vira o destino dos capítulos IV a VII.

Com Bastian, no sótão

Bastian se emociona com a morte de Artax. Percebe que não está lendo só uma história: sente a perda como se fosse sua. É mais um passo na ligação entre o leitor e o livro.