Capítulo XI · Letra K
A Imperatriz Criança
indliche Kaiserin, a Imperatriz Criança, recebe Atreyu e revela que ele não falhou: a busca serviu para trazer até ela quem estava lendo a história.
O encontro
Atreyu chega ao pavilhão no topo da Torre de Marfim e vê, pela primeira vez, a Imperatriz Criança. Ela tem a aparência de uma menina de uns dez anos, mas o livro deixa claro que é mais velha do que qualquer ser de Fantasia. Está pálida e fraca, mas tranquila.
Atreyu se ajoelha e conta tudo: a busca, as perdas, Uyulala, a fronteira que não existe. E admite que falhou. Não encontrou a criança humana.
A revelação
A resposta da Imperatriz surpreende Atreyu. Ela diz que ele não falhou. A busca nunca foi para encontrar a cura em algum lugar de Fantasia. Ela já sabia, desde o começo, do que precisava.
A Imperatriz explica que a criança humana já está com eles. Ela acompanha cada passo da busca de Atreyu, sofre com ele, sente medo com ele, ri com ele. Foi por causa da busca que essa criança se aproximou de Fantasia. Em outras palavras, a missão de Atreyu era fazer alguém se importar com a história. E ele conseguiu.
A criança, claro, é Bastian.
Bastian não vem
O problema é que Bastian não vem. A Imperatriz sabe que ele está ali, lendo, e sabe o nome que ele pensou para ela. Mas Bastian não se decide a chamá-la.
O livro explica por quê. Bastian tem vergonha. Acha que é feio, gordo e covarde, e que alguém como ele não tem lugar num reino tão bonito, diante de uma Imperatriz como aquela. Ele imagina que, se aparecer, todos vão rir dele. Prefere ficar escondido do lado de fora da história.
A decisão da Imperatriz
Diante da hesitação de Bastian, a Imperatriz decide agir. Ela anuncia que vai procurar alguém que pode forçar a situação: o Velho da Montanha Errante. Deixa a Torre de Marfim sozinha e parte. O que acontece a seguir é o assunto do capítulo XII.
Por que o capítulo importa
O capítulo XI é o momento em que o livro revela abertamente o seu jogo. A história que Bastian lê sabe que está sendo lida. A Imperatriz conhece o leitor. A distância entre quem lê e quem é lido desaparece.
É também um capítulo sobre vergonha. O que impede Bastian de salvar Fantasia não é a falta de poder, mas a convicção de que não merece. É uma barreira que muitos leitores reconhecem em si mesmos, e uma das razões pelas quais o livro toca tanta gente.
No conjunto do livro
Na estrutura do livro, o capítulo XI fecha a busca de Atreyu e abre o dilema de Bastian. A partir daqui, a pergunta já não é o que Atreyu vai encontrar, mas se Bastian terá coragem de entrar. É uma inversão importante: o leitor deixa de torcer pelo herói da história e passa a torcer pelo leitor da história.
Detalhes que passam despercebidos
- A Imperatriz não pede nada a Atreyu além da verdade. Ela não o castiga por “falhar” porque, do ponto de vista dela, ele fez exatamente o que precisava.
- O nome do capítulo, no original, é o próprio título da personagem. É a primeira vez que o leitor a vê de perto.
Com Bastian, no sótão
Bastian ouve, através do livro, a Imperatriz falar dele. Fica apavorado e envergonhado ao mesmo tempo. Quer gritar o nome e não consegue. Fecha os olhos, pensa em desistir, mas continua lendo.