Capítulo X · Letra J
O voo para a Torre de Marfim
untos de novo, Atreyu e Falkor voam para a Torre de Marfim sobre um reino quase todo engolido pelo Nada, certos de que falharam.
O resgate
Preso à mandíbula de Gmork, com o Nada se aproximando, Atreyu parece perdido. É então que Falkor reaparece. O dragão da sorte, que nunca deixou de procurar o amigo, encontra Atreyu na Cidade dos Fantasmas e o liberta.
Os dois estão juntos de novo. Mas não há motivo para comemorar. A busca não deu certo: Atreyu não encontrou a fronteira de Fantasia, nem uma criança humana, nem a cura para a Imperatriz.
O voo sobre o vazio
Atreyu decide voltar à Torre de Marfim para contar à Imperatriz que falhou. Falkor o leva voando. Do alto, os dois veem o tamanho da destruição. O Nada engoliu quase tudo. Regiões inteiras desapareceram, e o que resta de Fantasia são pedaços isolados, cercados de vazio por todos os lados.
O voo é silencioso e triste. Atreyu carrega o peso de uma missão que não cumpriu. Falkor, mesmo assim, mantém seu otimismo de dragão da sorte e insiste que ainda há esperança, mesmo sem saber explicar por quê.
A chegada
Quando os dois chegam à Torre de Marfim, ela é praticamente a única coisa que resta. O labirinto de jardins ao redor da torre está cercado pelo Nada. Os mensageiros, os médicos e os servidores que estavam ali fugiram ou esperam o fim.
Atreyu sobe ao alto da torre, até o pavilhão onde vive a Imperatriz Criança. Ele está pronto para dizer que fracassou.
Por que o capítulo importa
O capítulo X é uma ponte entre a busca de Atreyu e a grande revelação dos capítulos seguintes. Ele mostra Fantasia no limite da extinção e o herói convencido de que perdeu. O leitor sente o peso da derrota.
Mas o capítulo também prepara uma virada. A sensação de fracasso de Atreyu é falsa, como o leitor vai descobrir. A missão dele nunca foi encontrar a cura ou a fronteira. Era outra coisa, e ele a cumpriu sem perceber.
No conjunto do livro
Na estrutura da primeira metade, o capítulo X é o último momento em que o leitor acompanha Atreyu como herói principal. A partir do capítulo XI, o foco se desloca para Bastian e para a decisão que só ele pode tomar. O voo funciona como uma despedida: o leitor vê Fantasia pela última vez como ela era, antes de tudo ser apagado e recriado.
Detalhes que passam despercebidos
- O otimismo de Falkor nesse momento é mais do que um traço de personalidade. Os dragões da sorte acreditam que as coisas vão dar certo, e isso, de alguma forma, ajuda a fazer com que deem.
- O voo sobre o vazio é a imagem mais forte do Nada em todo o livro: um mundo reduzido a ilhas cercadas de coisa nenhuma.
- A volta à Torre de Marfim fecha um círculo. Atreyu termina a busca no mesmo lugar onde, para o leitor, ela começou.
Com Bastian, no sótão
Bastian sabe o que Atreyu não sabe. Sabe que a criança humana de que Fantasia precisa existe e está muito perto. Sabe que é ele. E a culpa por não fazer nada começa a pesar. A essa altura, já é noite, e Bastian está sozinho no sótão escuro, lendo à luz das últimas velas.