Capítulo XIX · Letra S
Os companheiros de viagem
eguido por Atreyu, Falkor e três cavaleiros, Bastian viaja por Fantasia. Atreyu percebe que o AURYN está apagando as lembranças do amigo.
A comitiva
Depois de Amargánth, Bastian segue viagem por Fantasia acompanhado de uma pequena comitiva: Atreyu, Falkor e os três cavaleiros Hykrion, Hysbald e Hydorn. Para os cavaleiros, é uma honra seguir o grande herói. Para Atreyu e Falkor, é uma forma de cuidar do amigo.
A viagem tem momentos de aventura e de alegria, mas o clima entre os companheiros vai ficando tenso. Bastian se comporta cada vez mais como um líder que espera obediência, e menos como um amigo.
A descoberta de Atreyu
Atreyu observa Bastian com atenção e percebe algo que ninguém mais percebe. Quando Bastian fala do mundo humano, lembra cada vez menos. Detalhes desapareceram: a escola, a vida que levava, coisas que ele mesmo tinha contado antes. Atreyu entende o que está acontecendo: cada desejo realizado pelo AURYN apaga uma lembrança.
É uma descoberta assustadora. Se Bastian continuar desejando, vai esquecer tudo. E, sem lembranças do mundo humano, não vai saber voltar para casa.
O aviso
Atreyu, com a ajuda de Falkor, tenta alertar Bastian. Explica o que percebeu e pede que ele tome cuidado com os desejos. Mas Bastian não quer ouvir. Para ele, os desejos o tornaram tudo o que sempre quis ser, e não faz sentido parar. Além disso, ele não sente falta das lembranças que perdeu, justamente porque não lembra delas.
Pior: Bastian começa a desconfiar de Atreyu. Por que o amigo se preocupa tanto com o AURYN? Será que inveja o poder de Bastian? Será que quer o medalhão para si? A semente da desconfiança está plantada.
A armadilha das lembranças perdidas
O capítulo mostra o problema mais cruel do AURYN. Quem perde uma lembrança não sabe que a perdeu. Bastian não sente que está ficando menor; sente que está ficando maior. Só quem o vê de fora, como Atreyu, percebe o que está desaparecendo.
É uma ideia que muitos leitores relacionam com situações reais: pessoas que mudam tanto com o sucesso, o poder ou a fama que deixam de reconhecer quem eram, e se irritam com os amigos que lembram.
Por que o capítulo importa
O capítulo XIX é o momento em que o conflito central da segunda metade fica explícito. Atreyu e Bastian, que eram espelhos na primeira metade, agora estão em lados opostos de uma mesma questão. Atreyu quer que Bastian volte a ser quem era; Bastian quer continuar se tornando quem deseja ser.
No conjunto do livro
Na estrutura da segunda metade, este é o capítulo em que o leitor passa a torcer contra os desejos de Bastian. Até aqui, cada desejo era uma pequena maravilha. A partir do momento em que Atreyu explica o preço, cada novo desejo vira uma ameaça. O livro transforma o próprio poder do protagonista na principal fonte de suspense.
Detalhes que passam despercebidos
- Os três cavaleiros nunca questionam Bastian. A comitiva mostra como Bastian está cercado de gente que só concorda com ele.
- Falkor, mesmo otimista, fica do lado de Atreyu. O dragão da sorte sabe que sorte não basta quando alguém está se perdendo.
- O nome do capítulo, “companheiros de viagem”, é irônico: os companheiros estão juntos, mas cada vez mais distantes.
O que vem depois
A desconfiança de Bastian vai encontrar quem a alimente. No capítulo seguinte entra em cena a feiticeira Xayide.