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História Sem Fim
Livro: Stuttgart, 1979Filme: 1984Fantasia

Capítulo XVII · Letra Q

Um dragão para um herói

uerendo ajudar o herói Hynreck a conquistar sua princesa, Bastian cria um dragão para ele combater, sem pensar no que isso pode causar.

O problema de Hynreck

Em Amargánth, Bastian conhece o herói Hynreck, um cavaleiro forte e valente que está apaixonado por uma princesa. O problema é que ela só aceita se casar com o maior herói de Fantasia, alguém que tenha vencido um monstro terrível. E Hynreck não tem monstro nenhum para vencer.

Hynreck está frustrado. Sem uma façanha, não pode provar seu valor, e sem provar seu valor, não pode conquistar a princesa. Para piorar, a chegada de Bastian, que vence todos os desafios, o deixa ainda mais apagado.

A solução de Bastian

Bastian tem uma ideia que parece generosa. Se Hynreck precisa de um monstro, ele vai criar um. Usa o AURYN e deseja um dragão, uma criatura assustadora contra a qual Hynreck possa lutar e se tornar herói.

O desejo se realiza. Em algum lugar de Fantasia, um dragão passa a existir, com todo o perigo que um dragão representa.

As consequências

O livro não deixa a solução de Bastian passar como algo inocente. O dragão criado para fazer Hynreck parecer herói é um dragão de verdade. Ele ameaça, ataca e causa medo reais aos habitantes de Fantasia. Bastian brincou de autor de histórias com a vida de seres que existem.

O episódio tem um tom de comédia, com o herói vaidoso, a princesa exigente e o menino que resolve tudo com um desejo. Mas, por baixo do humor, há uma crítica clara. Bastian começa a tratar Fantasia como um palco para as suas ideias, e não como um mundo com vida própria.

Atreyu observa

Atreyu acompanha os acontecimentos e não gosta do que vê. Ele percebe que Bastian usa o AURYN com uma facilidade cada vez maior, e para coisas cada vez menos importantes. Na primeira metade, o medalhão era uma responsabilidade. Nas mãos de Bastian, está virando um brinquedo.

Por que o capítulo importa

O capítulo XVII mostra o primeiro desejo de Bastian que causa mal a outros. Até aqui, os efeitos negativos eram sobre ele mesmo, como a perda das lembranças. Agora, ele cria algo perigoso para o mundo, por vaidade disfarçada de generosidade.

Também é um capítulo sobre o que faz um herói. Hynreck queria um monstro para provar seu valor; Atreyu, na primeira metade, nunca precisou de plateia. O contraste é proposital.

No conjunto do livro

Na estrutura da segunda metade, este capítulo é uma pausa cômica antes do tom ficar mais sério. Mas é uma comédia com aviso. O padrão que aparece aqui, Bastian resolvendo o problema de alguém com um desejo e criando um problema maior, vai se repetir no capítulo seguinte, com os Acharis, e vai crescer até a guerra pela Torre de Marfim.

Detalhes que passam despercebidos

  • Bastian sente prazer em resolver o problema de Hynreck. Mas parte desse prazer vem de mostrar que pode fazer qualquer coisa.
  • O título do capítulo no original, Ein Drache für einen Helden, tem um tom irônico: o dragão existe para servir ao herói, e não o contrário.
  • Cada desejo continua custando uma lembrança, e Bastian já não percebe o que perdeu.

O que vem depois

A partir daqui, a jornada de Bastian ganha velocidade. Ele deixa Amargánth acompanhado de Atreyu, Falkor e dos três cavaleiros. No caminho, vai encontrar os Acharis, e mais um desejo bem-intencionado vai dar errado.