Capítulo XVII · Letra Q
Um dragão para um herói
uerendo ajudar o herói Hynreck a conquistar sua princesa, Bastian cria um dragão para ele combater, sem pensar no que isso pode causar.
O problema de Hynreck
Em Amargánth, Bastian conhece o herói Hynreck, um cavaleiro forte e valente que está apaixonado por uma princesa. O problema é que ela só aceita se casar com o maior herói de Fantasia, alguém que tenha vencido um monstro terrível. E Hynreck não tem monstro nenhum para vencer.
Hynreck está frustrado. Sem uma façanha, não pode provar seu valor, e sem provar seu valor, não pode conquistar a princesa. Para piorar, a chegada de Bastian, que vence todos os desafios, o deixa ainda mais apagado.
A solução de Bastian
Bastian tem uma ideia que parece generosa. Se Hynreck precisa de um monstro, ele vai criar um. Usa o AURYN e deseja um dragão, uma criatura assustadora contra a qual Hynreck possa lutar e se tornar herói.
O desejo se realiza. Em algum lugar de Fantasia, um dragão passa a existir, com todo o perigo que um dragão representa.
As consequências
O livro não deixa a solução de Bastian passar como algo inocente. O dragão criado para fazer Hynreck parecer herói é um dragão de verdade. Ele ameaça, ataca e causa medo reais aos habitantes de Fantasia. Bastian brincou de autor de histórias com a vida de seres que existem.
O episódio tem um tom de comédia, com o herói vaidoso, a princesa exigente e o menino que resolve tudo com um desejo. Mas, por baixo do humor, há uma crítica clara. Bastian começa a tratar Fantasia como um palco para as suas ideias, e não como um mundo com vida própria.
Atreyu observa
Atreyu acompanha os acontecimentos e não gosta do que vê. Ele percebe que Bastian usa o AURYN com uma facilidade cada vez maior, e para coisas cada vez menos importantes. Na primeira metade, o medalhão era uma responsabilidade. Nas mãos de Bastian, está virando um brinquedo.
Por que o capítulo importa
O capítulo XVII mostra o primeiro desejo de Bastian que causa mal a outros. Até aqui, os efeitos negativos eram sobre ele mesmo, como a perda das lembranças. Agora, ele cria algo perigoso para o mundo, por vaidade disfarçada de generosidade.
Também é um capítulo sobre o que faz um herói. Hynreck queria um monstro para provar seu valor; Atreyu, na primeira metade, nunca precisou de plateia. O contraste é proposital.
No conjunto do livro
Na estrutura da segunda metade, este capítulo é uma pausa cômica antes do tom ficar mais sério. Mas é uma comédia com aviso. O padrão que aparece aqui, Bastian resolvendo o problema de alguém com um desejo e criando um problema maior, vai se repetir no capítulo seguinte, com os Acharis, e vai crescer até a guerra pela Torre de Marfim.
Detalhes que passam despercebidos
- Bastian sente prazer em resolver o problema de Hynreck. Mas parte desse prazer vem de mostrar que pode fazer qualquer coisa.
- O título do capítulo no original, Ein Drache für einen Helden, tem um tom irônico: o dragão existe para servir ao herói, e não o contrário.
- Cada desejo continua custando uma lembrança, e Bastian já não percebe o que perdeu.
O que vem depois
A partir daqui, a jornada de Bastian ganha velocidade. Ele deixa Amargánth acompanhado de Atreyu, Falkor e dos três cavaleiros. No caminho, vai encontrar os Acharis, e mais um desejo bem-intencionado vai dar errado.