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História Sem Fim

Fonoteca · Mundo humano

Fonoteca: a música de A História Sem Fim

Também conhecido como: Fonoteca · Never Ending Story música · Trilha sonora

A trilha de Klaus Doldinger, as músicas de Giorgio Moroder e a canção-tema cantada por Limahl, que voltou às paradas décadas depois.

Para muita gente, A História Sem Fim começa com um som: o sintetizador e a voz que cantam o título no tema do filme de 1984. A música do filme é quase tão famosa quanto a própria história. Mas ela tem duas origens bem diferentes, e entender isso ajuda a entender o próprio filme.

Klaus Doldinger: a trilha original

A trilha sonora original foi composta por Klaus Doldinger, saxofonista e compositor alemão, um dos nomes mais importantes do jazz no país. Doldinger já tinha trabalhado com Wolfgang Petersen em O Barco (Das Boot), cuja trilha ficou famosa no mundo inteiro.

Para A História Sem Fim, ele compôs uma música orquestral, com temas melódicos para Fantasia, para a busca de Atreyu e para os momentos de perigo. É uma trilha clássica de filme de aventura, que acompanha a ação sem chamar atenção para si.

Giorgio Moroder: o som dos anos 1980

Para o lançamento internacional, sobretudo nos Estados Unidos, os produtores decidiram dar ao filme um som mais moderno. Chamaram Giorgio Moroder, produtor italiano famoso pela música eletrônica e pela disco music, vencedor do Oscar pela trilha de O Expresso da Meia-Noite.

Moroder acrescentou faixas com sintetizadores e bateria eletrônica a várias cenas, principalmente as de voo e de ação. O resultado é uma trilha híbrida: o filme alterna momentos orquestrais de Doldinger e momentos eletrônicos de Moroder. Por isso, a música de A História Sem Fim soa diferente dependendo da versão do filme que se assiste.

A canção-tema: Never Ending Story

A contribuição mais famosa de Moroder foi a canção-tema, Never Ending Story, composta por ele com letra de Keith Forsey e cantada por Limahl, cantor britânico que tinha sido vocalista da banda Kajagoogoo.

A canção é puro pop dos anos 1980: sintetizadores brilhantes, refrão fácil e a famosa vocalização que repete o título. Ela fez sucesso nas paradas de vários países em 1984 e 1985 e se tornou a música mais associada à história, a ponto de muita gente lembrar dela antes de lembrar do filme.

A letra fala de uma história sem fim, de olhar no espelho e de voar no céu, em referências diretas ao filme. Não tem relação direta com o livro de Ende, mas captura bem o clima de sonho e de aventura.

A volta às paradas

Décadas depois, a canção ganhou uma segunda vida. Em 2019, a terceira temporada da série Stranger Things colocou dois personagens, Dustin e Suzie, cantando Never Ending Story em dueto, numa cena ao mesmo tempo engraçada e afetiva. A cena viralizou, e a música voltou a ser ouvida por uma geração que nem tinha nascido em 1984.

O episódio mostra como a história de Ende continua circulando na cultura pop, muitas vezes por caminhos que o autor jamais imaginaria.

As sequências

As sequências de 1990 e 1994 tiveram trilhas próprias, com outros compositores, e reaproveitaram temas e referências da música original. Nenhuma delas teve o impacto da trilha de 1984.

O que o livro tem de musical

O próprio livro tem momentos ligados à música e ao som. Uyulala, a voz do Oráculo do Sul, só pode ser entendida por quem fala em versos, e o capítulo dela se chama “a voz do silêncio”. Os dragões da sorte têm um canto que lembra um grande sino. Ende escrevia pensando no ritmo das frases, e muitas passagens do livro funcionam quase como canções lidas em voz alta.

Para ouvir

Se quiser conhecer a música com atenção:

  • ouça a trilha de Klaus Doldinger separadamente, para perceber os temas orquestrais;
  • compare com as faixas de Giorgio Moroder, que dão ao filme o seu som oitentista;
  • e, claro, ouça Never Ending Story com Limahl, de preferência alto.