Nº 06 · Criaturas · Fantasia
A Velha Morla
Também conhecido como: Morla · Anciã Morla · Uralte Morla
A criatura antiquíssima dos Pântanos da Tristeza, uma espécie de tartaruga gigante que fala sozinha e não se importa com mais nada.

A velha Morla é uma das criaturas mais antigas de Fantasia. Ela vive nos Pântanos da Tristeza, e Atreyu vai procurá-la porque, sendo tão velha, ela talvez saiba a cura para a doença da Imperatriz Criança.
Como ela é
Morla se parece com uma tartaruga gigantesca. Sua carapaça é tão grande e tão coberta de musgo, lama e plantas que, de longe, parece um monte no meio do pântano. Ela passa o tempo quase toda enterrada, imóvel, sem se interessar por nada que aconteça no mundo.
O traço mais curioso de Morla é a forma como fala. Ela vive sozinha há tanto tempo que se acostumou a conversar consigo mesma e usa sempre o plural: diz “nós” em vez de “eu”, como se fosse duas. Atreyu precisa ter paciência, porque ela discute com ela mesma antes de responder qualquer coisa.
A indiferença
O que Morla tem de mais marcante é a falta de interesse por tudo. Ela já viu tanta coisa que nada mais a comove: nem a doença da Imperatriz, nem o avanço do Nada, nem o fim de Fantasia. Para ela, tanto faz. Quando Atreyu pergunta se ela não se preocupa com o destino do reino, Morla responde, à sua maneira, que nada importa.
Essa indiferença é coerente com o lugar onde ela vive. Os Pântanos da Tristeza fazem quem os atravessa perder a esperança, e Morla parece ser a tristeza do lugar levada ao extremo: não um sofrimento intenso, mas um cansaço profundo, que já desistiu de tudo.
O que ela revela
Apesar de não se importar, Morla acaba dando a Atreyu uma pista importante. Ela diz que não sabe a cura, mas que talvez Uyulala, no Oráculo do Sul, saiba. O problema é a distância: o Oráculo fica tão longe que Atreyu jamais conseguiria chegar a tempo a pé.
Morla também reconhece o AURYN e sabe que a Imperatriz é mais velha do que ela própria. É uma das poucas criaturas que trata a soberana de Fantasia não com reverência, mas com a familiaridade de quem existe há quase tanto tempo quanto ela.
No cinema
No filme de 1984, a cena de Morla segue de perto o livro. Ela aparece como uma tartaruga colossal emergindo de um monte no pântano, fala no plural e repete que não se importa com nada. O filme acrescenta uma piada: Morla é alérgica a jovens e espirra em Atreyu. A criatura foi um enorme boneco mecânico construído para o filme.
A sequência de Morla vem logo depois da morte de Artax, uma das cenas mais tristes do filme, e o contraste entre o desespero de Atreyu e a apatia de Morla é proposital.
Por que ela importa
Morla mostra um tipo de ameaça diferente do Nada. O Nada apaga as coisas; Morla simplesmente deixou de se importar com elas. O livro sugere que as duas coisas estão ligadas: um mundo em que ninguém se importa com nada é um mundo pronto para ser engolido. Atreyu, que perdeu o cavalo e quase perdeu a esperança no mesmo pântano, segue adiante justamente porque ainda se importa.