Capítulo XXV · Letra Y
A Mina das Imagens
or, o mineiro cego, aceita Bastian na Mina das Imagens. Em silêncio, ele cava sonhos esquecidos até achar o retrato de um homem preso no gelo.
A mina
Guiado pelo novo desejo de ser capaz de amar, Bastian procura um caminho de volta para o mundo humano. Mas não sabe como. Quase não tem mais lembranças, e sem elas não há ponte entre os dois mundos.
Ele chega a uma região fria, coberta de neve. Ali fica a Mina das Imagens, um lugar onde estão enterrados os sonhos esquecidos dos humanos. Toda vez que alguém no mundo humano esquece um sonho, ele vai parar em Fantasia e fica preso na rocha da mina, como uma imagem fina e frágil.
Yor
O dono da mina é Yor, um mineiro cego. Ele passa a vida cavando as imagens com cuidado e levando-as para a superfície, onde as deposita sobre a neve. Trabalha no escuro, guiado pelo tato e pela memória dos túneis.
Bastian pede para trabalhar com ele. Yor aceita, com uma condição: na mina, não se fala. O trabalho exige silêncio absoluto, porque o menor ruído pode quebrar as imagens.
O trabalho humilde
O menino que queria ser imperador vira ajudante de um velho cego. Bastian trabalha dia após dia, calado, no frio e no escuro. Não há plateia, não há aplausos, não há desejos. Só o trabalho paciente de tirar da terra, uma por uma, as imagens que os humanos esqueceram.
É uma transformação enorme. Bastian, que passou a segunda metade do livro precisando ser admirado, aprende a fazer algo bem feito sem que ninguém veja.
A imagem do homem no gelo
Yor explica que Bastian vai reconhecer a imagem que procura quando a encontrar. E um dia ele encontra. É a imagem de um homem preso dentro de um bloco de gelo. Bastian não sabe quem é, porque já esqueceu, mas sente uma comoção profunda e sabe que precisa levá-la consigo.
O leitor sabe o que Bastian não sabe. É o pai dele. Um homem congelado pela tristeza desde a morte da esposa, incapaz de se mover em direção ao filho.
Essa imagem é a última ponte entre Bastian e o mundo humano. É ela que vai levá-lo à Água da Vida.
Por que o capítulo importa
O capítulo XXV fecha o arco de transformação de Bastian. Ele chegou a Fantasia querendo ser grande e termina aprendendo a ser pequeno. E o que encontra no fundo da terra não é poder nem glória, mas a imagem de alguém que ele ama e precisa salvar.
É também uma das imagens mais bonitas do livro sobre memória. Os sonhos que esquecemos não desaparecem: ficam guardados em algum lugar, esperando que alguém os encontre.
No conjunto do livro
Na estrutura do livro, é o penúltimo passo da volta. Depois do descanso na Casa da Mudança, a mina exige trabalho e paciência, e devolve a Bastian uma razão para voltar. Sem a imagem do homem no gelo, a Água da Vida não teria sentido: Bastian precisa de alguém por quem voltar.
Detalhes que passam despercebidos
- Yor é cego, mas é ele quem ajuda Bastian a ver o que importa.
- O silêncio da mina contrasta com o barulho de toda a jornada anterior: discursos, batalhas, aplausos.
- A imagem do pai congelado retoma, de forma simbólica, o começo do livro, quando pai e filho viviam na mesma casa sem conseguir se aproximar.