Capítulo XVI · Letra P
Amargánth, a Cidade de Prata
rata por todo lado: em Amargánth, Bastian é recebido como herói, se exibe para a multidão e reencontra Atreyu e Falkor.
A cidade de prata
Bastian chega a Amargánth, uma cidade construída inteiramente de prata, junto a um lago. As casas, as torres e as pontes brilham ao sol, e os moradores são famosos pela habilidade de trabalhar o metal. É um dos lugares mais luminosos de Fantasia.
A fama de Bastian chegou antes dele. Em Amargánth, ele é recebido como um herói célebre, o salvador que recriou o reino. Todos querem vê-lo, falar com ele, servi-lo.
O herói em exibição
Bastian gosta da atenção. Muito. Pela primeira vez na vida, é admirado por uma multidão. Ele aceita desafios, participa de competições e prova sua força e sua habilidade diante de todos. Vence sem esforço, porque seus desejos o tornaram forte, ágil e corajoso.
Em Amargánth ele conhece três cavaleiros orgulhosos, Hykrion, Hysbald e Hydorn, que ficam fascinados por ele e passam a acompanhá-lo. Conhece também o herói Hynreck, que tem um problema que Bastian resolverá no capítulo seguinte.
O reencontro
Em Amargánth, Bastian reencontra Atreyu e Falkor. Os dois o procuravam desde que ele entrou em Fantasia. Para Bastian, é um momento de emoção: o herói que ele admirava no livro está ali, diante dele, em carne e osso.
Mas o encontro não é exatamente o que Bastian imaginava. Atreyu é simples e direto, e não demonstra a admiração que todos em Amargánth demonstram. Ele trata Bastian como um amigo, não como um ídolo. Bastian, acostumado aos aplausos, sente uma ponta de incômodo que ainda não sabe nomear.
A ponta da vaidade
O capítulo XVI marca uma mudança sutil em Bastian. Até aqui, seus desejos o tornaram melhor do que era: mais bonito, mais forte, mais corajoso. A partir de Amargánth, começam a torná-lo vaidoso. Ele passa a precisar de plateia e a se irritar com quem não o admira.
É também em Amargánth que o leitor descobre o segredo da cidade: sua prata vem de um rio formado pelas lágrimas dos Acharis, criaturas que choram sem parar. A beleza da cidade depende de uma tristeza escondida, o que prepara o capítulo XVIII.
Por que o capítulo importa
Este capítulo coloca Bastian e Atreyu frente a frente pela primeira vez. Os dois meninos que eram espelhos um do outro na primeira metade agora estão no mesmo lugar, e a diferença entre eles começa a aparecer. Atreyu continua o mesmo; Bastian está mudando, e nem sempre para melhor.
No conjunto do livro
Na estrutura da segunda metade, o capítulo XVI abre um bloco de capítulos em que Bastian ganha fama, seguidores e influência. É uma subida que parece vitoriosa, mas o leitor atento já vê que é o começo da queda. Amargánth é o lugar onde ele passa de criador a celebridade.
Detalhes que passam despercebidos
- A multidão de Amargánth faz por Bastian o que os colegas de escola nunca fizeram: o aplaude. O livro mostra como isso é sedutor para quem passou a vida sendo desprezado.
- Atreyu percebe logo que algo em Bastian não está bem, mas ainda não sabe o quê.
- Falkor, como sempre, está feliz. Para um dragão da sorte, reencontrar os amigos já é motivo suficiente.