Capítulo VII · Letra G
A voz do silêncio
raças aos três portões, Atreyu chega a Uyulala, a voz sem corpo do Oráculo. Ela revela que a Imperatriz precisa de um nome dado por uma criança humana.
Uyulala
Depois dos três portões, Atreyu chega ao coração do Oráculo do Sul. Ali não há ninguém para ver. Uyulala, o Oráculo, não tem corpo. Ela é apenas uma voz, que parece vir de todos os lados ao mesmo tempo. Daí o nome do capítulo: a voz do silêncio.
Uyulala tem uma exigência estranha. Ela só entende e só responde a quem fala com ela em versos rimados. Atreyu, que é caçador e não poeta, precisa aprender a formular suas perguntas rimando. A conversa ganha um ritmo de canção, diferente de tudo o que veio antes no livro.
A pergunta e a resposta
Atreyu pergunta o que todos querem saber: qual é a doença da Imperatriz Criança, e como curá-la?
A resposta de Uyulala muda tudo. A Imperatriz não está doente de uma doença comum. Ela precisa de um nome novo. Os nomes dos seres de Fantasia se gastam com o tempo, e o dela já não basta para mantê-la viva. Sem um nome novo, ela vai morrer, e com ela todo o reino.
Mas há um problema. Nenhum habitante de Fantasia pode dar esse nome. Só alguém de fora: uma criança humana, do mundo dos homens. Antigamente, explica Uyulala, os humanos vinham com frequência a Fantasia e davam nomes novos a tudo. Há muito tempo, porém, eles deixaram de vir. Esqueceram o caminho.
A nova missão
A missão de Atreyu muda completamente. Ele não precisa mais encontrar um remédio, e sim um humano. Para isso, precisa chegar à fronteira de Fantasia e sair à procura do mundo dos homens. Ele não sabe onde fica essa fronteira, nem se ela existe.
Uyulala desaparece
O capítulo tem um final melancólico. Enquanto fala com Atreyu, Uyulala também está sendo atingida pelo Nada. Sua voz vai enfraquecendo, até sumir. A resposta que Atreyu recebe é, de certa forma, a última coisa que ela diz.
O centro do livro
O capítulo VII é onde A História Sem Fim revela sua ideia central. Fantasia não está morrendo por causa de um monstro, mas porque os humanos deixaram de imaginar e de dar nomes às coisas. A solução não está em Fantasia, mas fora dela, no mundo de quem lê. É a primeira vez que o livro diz isso com todas as letras.
Também é um capítulo sobre a importância das palavras. Uyulala só existe como linguagem, e só entende linguagem cuidadosa, rimada, bonita. A cura da Imperatriz é um nome, ou seja, uma palavra. Para um livro sobre ler e imaginar, faz todo o sentido.
No conjunto do livro
Uyulala também muda o tipo de herói de que a história precisa. Até aqui, Atreyu resolvia problemas com coragem e persistência. A partir daqui, a solução depende de alguém que nem está em Fantasia, e nenhuma coragem de Atreyu pode substituí-lo.
Com Bastian, no sótão
Quando Uyulala diz que só uma criança humana pode salvar a Imperatriz, Bastian sente o coração disparar. Por um instante, ele se pergunta se poderia ser essa criança. Mas afasta a ideia. Não pode ser ele. Ele é só um menino gordo e covarde escondido num sótão.