Capítulo VIII · Letra H
Os gigantes do vento
ora de procurar a fronteira de Fantasia: Atreyu e Falkor voam até descobrir que ela não existe, e uma tempestade separa os dois.
A procura da fronteira
Depois de ouvir Uyulala, Atreyu tem uma nova missão: encontrar uma criança humana. Para isso, precisa sair de Fantasia, e para sair precisa encontrar a fronteira do reino. Falkor, já recuperado, oferece-se para levá-lo. Os dois partem voando.
O dragão da sorte voa sem parar, dia e noite, em todas as direções. Mas há algo errado. Não importa o quanto voem, nunca chegam a um limite. Não há muralha, nem mar final, nem borda do mundo. Fantasia simplesmente continua.
Atreyu chega a uma conclusão assustadora: Fantasia não tem fronteiras. Não é possível sair dela indo para longe. Se existe uma passagem para o mundo humano, ela não está num lugar que se alcança voando.
Os gigantes do vento
Exaustos, Atreyu e Falkor são apanhados por uma tempestade colossal. Ela é provocada pelos gigantes do vento, seres imensos que representam os ventos de diferentes direções e que vivem em conflito uns com os outros. Quando lutam, o céu inteiro vira caos.
Atreyu tenta falar com eles, pedir ajuda, perguntar sobre a fronteira. Mas os gigantes não escutam ninguém. Estão ocupados com a própria briga, alheios ao destino de Fantasia e ao avanço do Nada.
A queda
No meio da tempestade, Atreyu é arrancado das costas de Falkor e cai no mar. Na queda, perde o AURYN, o medalhão que o protegia desde o começo da busca. Sem o medalhão, Atreyu já não age em nome da Imperatriz. É só um menino perdido, sozinho e sem rumo.
Falkor procura o amigo, mas os dois se separam. Atreyu é levado pelas águas até uma costa desconhecida e caminha, sem forças, para o interior.
O ponto mais baixo
O capítulo VIII é o momento em que tudo parece perdido. Atreyu descobriu que sua nova missão é impossível, perdeu o companheiro, perdeu o AURYN e perdeu o rumo. A Imperatriz continua morrendo, o Nada continua avançando, e ele não sabe onde está.
É também um capítulo importante para o sentido do livro. A descoberta de que Fantasia não tem fronteiras prepara a grande virada da história: a passagem entre os mundos não é geográfica. Ela acontece por outro caminho, o da leitura e da imaginação. O leitor que está atento já sabe qual é a criança humana de que Atreyu precisa: está sentada num sótão, lendo.
Detalhes que passam despercebidos
- A indiferença dos gigantes do vento ecoa a de Morla: são seres poderosos demais para se importar com o resto de Fantasia.
- A perda do AURYN é a primeira vez em que Atreyu fica realmente desprotegido. Tudo o que ele fizer a partir daqui depende só dele.
- A ideia de um mundo sem fronteiras combina com o título do livro: Fantasia é infinita porque a imaginação também é.
Com Bastian, no sótão
Bastian sofre junto com Atreyu. Ele sabe a resposta que Atreyu procura e não pode dizê-la. Ou pode, mas não tem coragem. O sótão está cada vez mais frio, as velas cada vez mais curtas, e Bastian continua lendo.