Capítulo XXII · Letra V
A batalha pela Torre de Marfim
aidoso e cego, Bastian marcha sobre a Torre de Marfim para se coroar imperador. Na batalha, ele fere Atreyu com a espada Sikanda.
A marcha
Decidido a se tornar imperador de Fantasia, Bastian reúne um exército. Estão com ele os gigantes de armadura de Xayide, os três cavaleiros e muitos seres de Fantasia que o admiram ou o temem. Ele marcha sobre a Torre de Marfim, o centro do reino, a casa da Imperatriz Criança.
A Imperatriz não está lá. Mas a torre é o símbolo do poder em Fantasia, e Bastian quer ocupá-la e se coroar.
A resistência
Atreyu, expulso por Bastian no capítulo anterior, não desistiu do amigo. Reúne seus próprios aliados, entre eles Falkor, e se coloca entre Bastian e a torre. Não por ambição, mas para impedir que Bastian faça algo de que nunca mais poderá voltar.
Os dois exércitos se enfrentam. É a única batalha de verdade em todo o livro, e ela não é entre o bem e o mal, mas entre dois amigos.
Sikanda
No meio da batalha, Bastian e Atreyu ficam frente a frente. Bastian carrega Sikanda, a espada que ganhou no palácio de Graógraman, a espada que só pode sair da bainha por vontade própria.
Bastian, furioso, quebra a regra. Saca Sikanda por vontade própria. E com ela fere Atreyu.
É o momento mais sombrio de toda a história. O menino que salvou Fantasia, que admirava Atreyu acima de todos, fere o amigo que tentava salvá-lo. A espada que deveria agir apenas quando fosse justo foi usada por raiva e orgulho.
Depois do golpe
Atreyu cai, ferido. Falkor o leva para longe da batalha. Bastian olha para o que fez e, por um instante, algo nele desperta. A batalha termina, e parte da Torre de Marfim fica destruída. O sonho de ser imperador perde o sentido.
Bastian não se torna imperador. Fica sozinho, com o peso do que fez e quase sem lembranças do mundo de onde veio. A partir daqui, sua jornada muda de direção: em vez de conquistar, ele vai precisar encontrar o caminho de volta.
Por que o capítulo importa
O capítulo XXII é o fundo do poço de Bastian e o clímax da segunda metade. Tudo o que o livro vinha mostrando, a vaidade, a perda de memória, a bajulação de Xayide, a desconfiança dos amigos, desemboca aqui.
É também o capítulo que mais se afasta do que muitos esperam de um livro infantil. O protagonista não vence o vilão: ele se torna o perigo. E fere quem mais o ama. Ende não poupa Bastian, e por isso a recuperação dele nos capítulos seguintes tem tanto peso.
Detalhes que passam despercebidos
- A Torre de Marfim, que na primeira metade era o lugar para onde todos corriam em busca de socorro, vira um campo de batalha por causa de quem a salvou.
- Bastian quebra a regra de Sikanda no exato momento em que perde o controle de si. A espada funciona como um termômetro moral.
- Atreyu não luta para vencer Bastian. Luta para detê-lo.
O que vem depois
Bastian vaga para longe da batalha e chega a um lugar que vai lhe mostrar, sem piedade, o que acontece com quem esquece tudo: a Cidade dos Antigos Imperadores.