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História Sem Fim
Livro: Stuttgart, 1979Filme: 1984Fantasia

Capítulo XX · Letra T

A mão que vê

rês cavaleiros e um herói chegam ao castelo de Xayide. A feiticeira se curva diante de Bastian, enche-o de elogios e passa a aconselhá-lo.

O castelo em forma de mão

A comitiva de Bastian chega ao castelo de Xayide, uma feiticeira poderosa. O castelo tem a forma de uma mão gigante, e é chamado de “a mão que vê”, o que dá nome ao capítulo. É um lugar sombrio e impressionante.

Xayide comanda um exército incomum: gigantes de armadura negra que não têm nada dentro. São armaduras vazias, que se movem só pela vontade da feiticeira. Para quem vê de fora, são guerreiros invencíveis; na verdade, são cascas ocas.

A rendição de Xayide

Bastian chega como quem vai enfrentar uma inimiga. Mas Xayide não luta. Ela se curva diante dele, reconhece seu poder e se oferece para servi-lo. Diz tudo o que Bastian gosta de ouvir: que ele é o maior herói que Fantasia já conheceu, que seus feitos são incomparáveis, que ele merece muito mais do que tem.

Bastian, que passou a vida sendo desprezado, não resiste aos elogios. Aceita Xayide e seu exército como aliados. A feiticeira passa a viajar com ele e a aconselhá-lo.

A conselheira

A partir daí, Xayide ocupa um lugar ao lado de Bastian que antes era de Atreyu. Mas a diferença entre os dois é enorme. Atreyu dizia verdades desagradáveis porque se importava com Bastian. Xayide diz mentiras agradáveis porque quer usá-lo.

Ela alimenta a desconfiança que Bastian já sentia. Sugere que Atreyu e Falkor estão tramando contra ele, que querem o AURYN para si, que a preocupação deles é inveja disfarçada. E começa a plantar uma ideia ainda maior: a de que Bastian deveria governar Fantasia.

O exército vazio

Os gigantes de armadura são uma das imagens mais fortes do livro. Um poder imponente por fora e vazio por dentro. É exatamente o que Bastian está se tornando: cada vez mais forte e admirado, cada vez mais oco de lembranças e de identidade. Xayide, que comanda armaduras vazias, sabe muito bem lidar com pessoas assim.

Por que o capítulo importa

O capítulo XX introduz a grande antagonista da segunda metade. Diferente de Gmork, que servia a um poder distante, Xayide quer poder para si, e o consegue manipulando a vaidade de alguém mais poderoso do que ela.

É um capítulo sobre bajulação. O livro mostra como é fácil seduzir quem passou a vida sem ser valorizado, e como os elogios podem ser mais perigosos do que os ataques.

No conjunto do livro

Na estrutura da segunda metade, o capítulo XX é o começo da descida mais íngreme de Bastian. Os capítulos XX, XXI e XXII formam um bloco: a sedução, a ruptura e a guerra. Xayide é o motor dos três. Sem ela, a vaidade de Bastian talvez tivesse parado no meio do caminho; com ela, vai até as últimas consequências.

Detalhes que passam despercebidos

  • Xayide não precisa derrotar Bastian. Basta convencê-lo de que ela está do lado dele.
  • Atreyu percebe a manipulação imediatamente, mas, a essa altura, Bastian já não ouve o amigo.
  • O contraste entre Xayide e a Imperatriz Criança é evidente: a Imperatriz não dá ordens nem bajula ninguém; Xayide faz das duas coisas sua forma de poder.