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História Sem Fim
Livro: Stuttgart, 1979Filme: 1984Os dois mundos

Capítulo XII · Letra L

O Velho da Montanha Errante

onge de tudo, a Imperatriz encontra o Velho que escreve a história. Ele a lê desde o começo, e a história passa a se repetir dentro de si mesma.

A Montanha Errante

A Imperatriz Criança viaja sozinha até a Montanha Errante, uma montanha que nunca está no mesmo lugar e que ninguém consegue encontrar procurando. Só ela é capaz de chegar até lá.

No alto da montanha vive o Velho da Montanha Errante. Ele mora numa estrutura parecida com um ovo e faz uma única coisa, sem parar: escreve. Tudo o que acontece em Fantasia, ele registra num grande livro no exato momento em que acontece. Ele não inventa nada, apenas guarda.

O Velho é uma espécie de oposto da Imperatriz. Ela é o começo de tudo; ele é a memória de tudo. Diz-se que os dois nunca deveriam se encontrar.

O pedido

A Imperatriz pede ao Velho que leia em voz alta o livro que está escrevendo. Ele hesita, porque sabe o que vai acontecer, mas obedece.

E começa a ler. O que ele lê é a história de um menino chamado Bastian Baltasar Bux, que entra numa livraria de antiguidades, rouba um livro chamado A História Sem Fim e se esconde no sótão da escola para lê-lo. Ou seja, o Velho começa a ler o próprio livro que o leitor tem nas mãos.

O círculo

Bastian, no sótão, ouve tudo e entende o perigo. A história vai avançar, chegar de novo ao ponto em que a Imperatriz encontra o Velho, e o Velho vai ler a história de novo, desde a livraria. E de novo. E de novo. Fantasia e Bastian ficariam presos para sempre num círculo infinito, uma história que se conta a si mesma sem nunca terminar.

A única forma de romper o círculo é Bastian fazer o que vem evitando desde o capítulo XI: entrar na história.

O nome

No limite do desespero, Bastian grita o nome que tinha pensado para a Imperatriz: Mondenkind, palavra alemã que significa algo como “Criança da Lua”. O círculo se quebra. A primeira metade do livro termina, e Bastian atravessa para Fantasia.

Por que o capítulo importa

O capítulo XII é a explicação literal do título. Uma história que se lê a si mesma não tem fim. É também o momento mais ousado do livro do ponto de vista da forma: Ende usa a estrutura do romance como um mecanismo da trama. O leitor real, segurando o livro, está dentro do mesmo círculo que Bastian.

Para muitos leitores, é o capítulo que transforma A História Sem Fim de uma boa aventura num livro inesquecível.

Detalhes que passam despercebidos

  • O que o Velho lê começa exatamente como o livro começa, com a livraria de Koreander. Quem prestar atenção percebe que o texto se repete, palavra por palavra.
  • A Imperatriz força Bastian a agir, mas não o obriga. Ele poderia continuar lendo para sempre. Escolher sair do círculo é a primeira decisão de verdade que ele toma.
  • O nome Mondenkind combina com a aparência pálida e luminosa da Imperatriz. Traduções e dublagens o vertem de formas diferentes.

Com Bastian, no sótão

Este é o último momento de Bastian no sótão. A tempestade lá fora, o frio, as velas quase no fim: tudo se junta no instante em que ele grita. Depois disso, o sótão fica para trás, e a história muda de lado.