Nº 17 · Entidades · Os dois mundos
O Nada
Também conhecido como: Nada · Das Nichts · The Nothing
A força que apaga Fantasia pedaço por pedaço. Não é um monstro, mas um vazio, que nasce quando os humanos deixam de imaginar.

O Nada (Das Nichts, no original) é a ameaça que move a primeira metade de A História Sem Fim. Ele não é uma criatura, nem um exército, nem uma doença comum. É um vazio que surge em Fantasia e engole tudo o que toca.
Como ele aparece
No começo do livro, mensageiros de várias regiões descrevem o mesmo fenômeno. Em algum lugar da terra, surge uma mancha onde não há nada: nem chão, nem céu, nem escuridão. Não é um buraco, porque um buraco ainda seria alguma coisa. É simplesmente a ausência de tudo.
Quem olha para o Nada tem a sensação de estar ficando cego. A mancha cresce aos poucos, apagando florestas, lagos e cidades. Os seres de Fantasia sentem uma atração estranha por ele, como se fossem puxados a se jogar dentro.
A ligação com a Imperatriz
O Nada avança ao mesmo tempo que a Imperatriz Criança adoece, e as duas coisas estão ligadas. A Imperatriz é o coração de Fantasia; quando ela enfraquece, o reino começa a se desfazer, e o Nada ocupa os espaços que vão ficando vazios.
Uyulala revela a causa: a Imperatriz precisa de um nome novo, e só os humanos podem dá-lo. Como os humanos deixaram de vir a Fantasia, ninguém dá mais nomes a nada, e o reino vai perdendo a força.
Para onde vão os que caem no Nada
A explicação mais importante vem do lobisomem Gmork, na Cidade dos Fantasmas. Os seres de Fantasia engolidos pelo Nada não desaparecem simplesmente. Eles vão parar no mundo humano, mas não como eram. Viram mentiras: ilusões, enganos, ideias falsas em que as pessoas passam a acreditar.
E o círculo se fecha. Quanto mais mentiras existem no mundo humano, menos as pessoas imaginam, e quanto menos imaginam, mais o Nada cresce em Fantasia. Gmork diz que há um poder interessado nisso, porque gente que acredita em mentiras é fácil de controlar.
Como o Nada é vencido
O Nada não é derrotado numa batalha. Ele é vencido quando Bastian grita o nome novo da Imperatriz e entra em Fantasia. Nesse momento, tudo o que restava do reino já foi engolido, e Bastian e a Imperatriz se encontram na escuridão total. A partir de um grão de areia, Bastian começa a recriar Fantasia com seus desejos.
Ou seja: o remédio contra o Nada é a imaginação. Só alguém que imagina pode encher de novo o vazio.
No filme de 1984
O filme mantém o Nada como ameaça central e o representa como uma tempestade escura, cheia de ventos e destroços, que arrasta tudo. É uma escolha visual compreensível, mas diferente do livro, em que o Nada é silencioso e não tem forma alguma. O discurso de Gmork sobre o Nada e o desespero dos humanos foi mantido e é uma das cenas mais citadas do filme.
O que ele representa
O Nada é a ideia mais famosa de Michael Ende. Muitos leitores o interpretam como a perda da imaginação numa sociedade que só valoriza o que é útil e lucrativo. Outros veem nele a apatia, a depressão ou a manipulação de massas. O livro não fecha a interpretação, mas deixa claro o principal: o perigo não vem de fora, e sim do esvaziamento de quem deixa de sonhar.