Bastidores · Mundo humano
Os bastidores do filme de 1984
Também conhecido como: Bastidores do filme · Making of A História Sem Fim
Como foi feito A História Sem Fim de 1984: a superprodução da Bavaria em Munique, os bonecos gigantes, o elenco infantil e o sucesso.
A História Sem Fim, de 1984, é um filme alemão falado em inglês, feito para conquistar o mundo. Sua produção foi uma das mais ambiciosas do cinema europeu da época e deixou marcas que até hoje fascinam fãs de efeitos práticos.
Uma aposta alemã
O projeto foi conduzido pelo produtor Bernd Eichinger, da Neue Constantin Film, ao lado de Dieter Geissler. Para dirigir, eles chamaram Wolfgang Petersen, que tinha acabado de fazer O Barco (Das Boot), um enorme sucesso internacional sobre um submarino alemão na Segunda Guerra.
A decisão de rodar em inglês foi estratégica. Um filme em alemão dificilmente teria espaço nos cinemas dos Estados Unidos e de boa parte do mundo. Em inglês, com atores americanos e britânicos nos papéis principais, a produção poderia competir com as grandes fantasias de Hollywood daquele período.
Os estúdios da Bavaria
O filme foi rodado principalmente nos estúdios da Bavaria Film, em Munique. Fantasia foi construída quase inteiramente em estúdio: a Torre de Marfim, os Pântanos da Tristeza, o Oráculo do Sul, a Cidade dos Fantasmas. Os cenários eram enormes, com pântanos artificiais, rochas de fibra e céus pintados.
Essa escolha dá ao filme o visual característico que os fãs adoram: uma Fantasia meio teatral, cheia de texturas, névoa e luz colorida, que hoje parece única justamente por não ter sido feita em computador.
Criaturas feitas à mão
As criaturas de Fantasia foram construídas como bonecos e animatrônicos, operados por equipes de técnicos escondidos fora do quadro. Entre elas:
- Falkor, o dragão da sorte, era um boneco enorme, com cabeça expressiva e corpo coberto de escamas. Para as cenas de voo, os atores montavam em partes do boneco diante de uma tela azul, e as imagens eram combinadas depois.
- Morla, a tartaruga dos Pântanos da Tristeza, era um boneco gigantesco, com olhos e boca móveis.
- As esfinges do Oráculo do Sul foram construídas em tamanho grande, com olhos que se abriam para disparar os raios.
O trabalho exigia muitos operadores e muitos ensaios, e algumas criaturas eram difíceis de controlar. Mas o resultado é uma presença física que poucos efeitos digitais conseguem imitar.
O elenco jovem
Os três protagonistas eram crianças. Barret Oliver interpretou Bastian; Noah Hathaway, Atreyu; e Tami Stronach, a Imperatriz Criança. Para Stronach, que tinha cerca de 11 anos, foi o primeiro papel no cinema. O olhar direto da Imperatriz para a câmera, pedindo a Bastian que diga seu nome, virou uma das imagens mais lembradas do filme.
O elenco adulto incluía Gerald McRaney como o pai de Bastian, Thomas Hill como Koreander e Moses Gunn como o centauro Cairon. Na versão em inglês, o ator Alan Oppenheimer emprestou a voz a várias criaturas, entre elas Falkor e Gmork.
A música
A trilha sonora original foi composta por Klaus Doldinger, músico de jazz que já tinha trabalhado com Petersen em O Barco. Para a versão internacional, o produtor Giorgio Moroder acrescentou músicas eletrônicas e a canção-tema Never Ending Story, cantada por Limahl. A canção se tornou um sucesso nas paradas de vários países. Veja a Fonoteca.
O conflito com o autor
Enquanto a produção avançava, a relação com Michael Ende se deteriorava. O autor discordava do roteiro, especialmente do corte da segunda metade do livro e do final em que Bastian usa Falkor para se vingar dos colegas. Ende pediu que seu nome fosse retirado e foi à Justiça, sem sucesso. A história completa está em Michael Ende contra o filme.
O sucesso
O filme estreou em 1984 e foi um sucesso de público na Alemanha e em vários outros países. Nas décadas seguintes, com reprises na TV e lançamentos em vídeo, ganhou status de clássico cult. Para muitas pessoas nascidas nos anos 1970 e 1980, é uma lembrança de infância tão forte quanto qualquer grande filme de Hollywood da época.
O sucesso garantiu duas sequências, em 1990 e 1994, feitas com outras equipes e outros elencos, e que nunca alcançaram o impacto do original.