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História Sem Fim

Nº 20 · Criaturas · Fantasia

As Esfinges do Oráculo

Também conhecido como: Esfinges · As duas esfinges

As duas esfinges do Grande Portão dos Enigmas. Quem passa entre seus olhares pode ser petrificado, e ninguém sabe por quê.

Busto de esfinge prateada e dourada usado como peça cenográfica
Uma das esfinges cenográficas do filme de 1984, hoje em exposição em Gilching, na AlemanhaImagem: XoMEoX, via Wikimedia Commons · CC BY 4.0

As duas esfinges guardam o primeiro dos três portões que levam ao Oráculo do Sul, o Grande Portão dos Enigmas. São uma das provas mais assustadoras que Atreyu enfrenta, justamente porque não há como se preparar para elas.

Como funciona o portão

As esfinges ficam uma de frente para a outra, dos dois lados do portão. Seus olhares se cruzam no meio. Quem atravessa o espaço entre elas fica sob esse olhar e pode ser paralisado, preso para sempre no lugar, incapaz de avançar ou recuar.

Mas nem todos são paralisados. As esfinges fecham os olhos para alguns viajantes e os deixam passar. A grande questão é: para quem?

O mistério de Engywook

O gnomo Engywook passou anos observando o portão para descobrir a regra. Ele anotou quem passava e quem ficava preso, comparou casos e formulou teorias. A conclusão a que chegou é perturbadora: não há regra que se possa entender. As esfinges deixam passar quem elas querem, e já deixaram passar seres covardes e maus enquanto paralisavam heróis corajosos e bons.

Isso torna a prova diferente das provas de heroísmo de outras histórias. Atreyu não pode vencer com coragem, inteligência ou bondade. Ele só pode caminhar e torcer.

A travessia de Atreyu

Atreyu decide atravessar mesmo assim. Ele caminha entre as esfinges e elas fecham os olhos. O livro não explica por quê. A passagem dele é uma espécie de graça, algo que ele não conquistou, mas recebeu.

Logo depois vêm os outros dois portões: o Portão do Espelho Mágico, onde é preciso encarar o próprio verdadeiro eu, e o Portão Sem Chave, que só se abre para quem não quer entrar.

No filme de 1984

O filme transformou as esfinges numa das sequências mais visuais e famosas da produção. Elas são enormes estátuas de pedra que, em vez de paralisar, disparam raios dos olhos e queimam quem não passa no teste. Antes de Atreyu, um cavaleiro de armadura é atingido e morre na frente dele.

No filme, Engywook dá uma regra mais simples: as esfinges abrem os olhos para quem não acredita no próprio valor. Atreyu precisa, portanto, confiar em si mesmo para passar. É uma mensagem mais direta do que a do livro, que preferia deixar o mistério intacto.

Por que elas importam

As esfinges mostram uma ideia importante de A História Sem Fim: Fantasia não funciona segundo a lógica dos humanos. Nem tudo tem explicação, nem todo mérito é recompensado. Atreyu precisa aceitar isso e seguir em frente. É uma lição de coragem diferente: não a de quem tem certeza de que vai vencer, mas a de quem caminha sem saber.